domingo, 28 de agosto de 2011

TEXTOS: AS REVOLUÇÕES BURGUESAS

Declaração dos Direitos (Bill of Rights) – 1689

Artigo 1º - Que o pretenso poder de suspender a execução das leis pela autoridade real, sem o consentimento do Parlamento, é contrário às leis.
Artigo 4º - Que toda a retirada de dinheiro para uso da Coroa, sob pretexto da prerrogativa real, sem que tenha sido estipulada pelo Parlamento, ou por tempo mais longo ou de outro modo que não tenha sido concedida, é contrária às leis.
Artigo 6º - Que criar ou manter um exército no Reino em tempo de paz, sem o consentimento do Parlamento, é contrário às leis.
Artigo 8º - Que as eleições dos deputados ao Parlamento devem ser livres.
Artigo 9º - Que os discursos feitos nos debates no Parlamento não devem ser examinados em nenhuma Corte nem em outro lugar a não ser no próprio Parlamento.

ROBESPIERRE
“Chegou a hora da igualdade passar a foice por todas as cabeças. Portanto, legisladores, vamos colocar o terror na ordem do dia." (Discurso de Robespierre na Convenção).

BENJAMIN FRANKLIN
"Lembra-te que o tempo é dinheiro... Lembra-te que o crédito é dinheiro... Lembra-te que o dinheiro é produtivo e se multiplica... Lembra-te que, segundo o provérbio, um bom pagador é senhor de todas as bolsas... A par da sobriedade e do trabalho, nada é mais útil a um moço que pretende progredir no mundo que a pontualidade e a retidão em todos os negócios".

sábado, 27 de agosto de 2011

DUDA, BEETHOVEN, VIVALDI, MASCARENHAS...




Minha filha Maria Eduarda, a famosa Duda, participou de um recital em Campinas. Em seu repertório, Beethoven (Pour Elise, Ode à Alegria), Vivaldi (Primavera), Mário Mascarenhas (Férias na Espanha, A Boneca Sem Corda) e outras composições. Alguns poucos tropeços naturais de quem tem sete anos de idade e seis meses de piano não ofuscaram seu sucesso. Acredito que a Sinfônica de Londres ou a Filarmônica de Moscou estarão bem servidas dessa virtuosa pianista.


Exagerei?





video







TEXTOS: CLERO MEDIEVAL

Clero Regular
“A ociosidade é inimiga da alma. Os monges devem, pois, consagrar certas horas ao trabalho manual e outras à leitura das coisas divinas (...) Se os monges se virem obrigados, por necessidade ou pobreza, a trabalharem eles próprios nas colheitas, que não se aflijam; serão, então, verdadeiros monges quando viverem do trabalho de suas mãos.” (Regra de São Bento de Núrcia, fundador da Ordem doa Beneditinos, no século VI)

Clero Secular
“Dei meu ouro e recebi o bispado, mas confio recebê-lo de volta, se souber como proceder. Para ordenar um padre, cobrarei em ouro; para ordenar um diácono, cobrarei um monte de prata (...) Paguei bom ouro, mas hei de rechear a bolsa.” (Depoimento de um Bispo no século IX, citado por A. Fremantle em A Idade da Fé)

TEXTOS: REFORMA E CONTRARREFORMA







LUTERO



“Só a fé salva.”



“Deixai de vos atormentar! Deus não é um juiz severo, mas um pai compassivo. Fazei o que quereis, sois e sereis pecadores por toda a vida. Contudo, se credes no Redentor, estais salvos. Tende confiança.” (Lutero)
(Revoltas Camponesas)






“Eu não tinha o direito, em meu escrito precedente, de julgar os camponeses, ainda que se declarassem prontos a se deixar instruir. O Cristo, aliás, proibiu julgar. Mas antes que tivesse tido tempo de mudar de opinião, eles levaram adiante seus desígnios e se puseram a usar de violência. Esquecendo sua promessa, saquearam e atacaram como cães furiosos (...) O Príncipe ou o senhor deve pensar que é o ministro de Deus e o servidor de sua cólera. A espada deve se abater sobre os patifes. Não punir ou castigar, não exercer sua função, é pecar contra Deus.”
“Temos que despedaçá-los [os camponeses], degolá-los e apunhalá-los em segredo e em público: e que os matem todos os que possam matá-los, como se mata um cão furioso (...) Por isso, caros senhores, ouvi-me e matais, degolai sem piedade, e, se morrerdes, como seríeis ditosos, pois jamais poderíeis ter morte mais feliz.”
(Lutero, a respeito das revoltas camponesas em panfleto intitulado Contra as Hordas Ladras e Assassinas dos Camponeses)



(Revoltas camponesas)



“Os pobres nas cidades e mais ainda os camponeses estavam em situação desesperadora. Eram explorados e esbulhados cruelmente de seus direitos e privilégios tradicionais. Encontravam-se num estado de espírito revolucionário que se manifestou através dos levantes camponeses e de movimentos revolucionários nas cidades. O Evangelho traduziu em palavras suas esperanças e expectativas, tal como o fizera para os escravos e trabalhadores o cristianismo primitivo, e levou os pobres a procurarem liberdade e justiça. Na medida em que Lutero atacou a autoridade e fez da palavra Evangelho o centro de seus ensinamentos, atraiu essas massas inquietas como outros movimentos de caráter evangélico haviam feito antes.” (FROMM, Erich. O Medo à Liberdade. Rio de Janeiro, Zahar, 1983)



“Os padres são dos homens os mais cúpidos do mundo. Eles rivalizam um e outro com quem terá mais, não do que deveriam ter, de virtudes e letras, mas querem ultrapassar os outros pela pompa e pela ostentação. Querem pelos engastes, ricos e ornamentados; querem mostrar-se em público com um exército de comilões, e a cada dia, por causa de sua preguiça e de sua ausência de virtudes, suas inclinações se fazem mais lascivas, mais temerárias e mais imprudentes (...) Pensa você que seja realesco um Pontífice revestir-se para se fazer adorar, assim, como um deus, de um longo casaco de mulher, como usam os efeminados e os luxuriosos da Babilônia? Pensa você que seja marcial caminhar no meio de um batalhão em quadrado escoltado por um longo cortejo? E pensa você que sejam pregadores verdadeiros os que por lucro se interessam pelos negócios de perjúrios, de usuras, de testamentos, de casamentos, de territórios e de Igrejas?” ( L.B. Alberti, Tratado Sobre a Família, livro II e Diálogo Sobre o Pontífice, aproximadamente de 1430-1440)





ANABATISTAS
(Tomaz Muntzer, um anabatista)



Manifesto de camponeses da região do Reno, de 1524
Artigo 4º - Até então era costume que nenhum trabalhador pobre tivesse direito à caça, aos pássaros e ao peixe de água corrente, o que nos parece chocante e bem pouco fraternal, egoísta da parte dos poderosos e em desacordo com a palavra de Deus. Mesmo em certos lugares as autoridades deixaram os animais fazer grandes estragos em nossas colheitas. Ora, Deus deixou crescer os animais para a utilidade do homem, e não para que as feras desprovidas de razão devorem os bens ao seu bel-prazer. Como Deus criou o homem como senhor de tudo o que vive, concedeu, portanto, a todos os homens poder sobre os animais, sobre o pássaro no ar, sobre o peixe na água.
Artigo 5º - Temos de nos queixar, também, a respeito dos bosques. Pois nossos senhores reservam apenas para si a floresta, e quando um pobre necessita de madeira, deve comprá-la pelo dobro de seu valor. Eis portanto nossa intenção a respeito dos bosques. Os senhores eclesiásticos e leigos devem novamente deixar às comunidades as florestas que elas não conseguem adquirir a dinheiro e permitir às comunas a liberdade de exploração.”





CALVINO






... é lícito supor que o capital, o crédito, o banco, o grande comércio, as finanças são desejadas por Deus e tão respeitáveis quanto o salário do operário e o aluguel de um imóvel. O comerciante que busca o lucro e revela as qualidades que o sucesso econômico exige ( o trabalho, a sobriedade, a frugalidade, a ordem) responde também ao chamado de Deus e um homem que não trabalha não deve mais comer”. (João Calvino, citado por Roland Mousnier – Os Séculos XVI e XVII, em História Geral das Civilizações, Difel, 1973)





ANGLICANISMO





Ato de Supremacia
“O Rei é o chefe supremo da Igreja da Inglaterra (...) Nesta qualidade, o Rei tem todo o poder de examinar, reprimir, corrigir tais erros, heresias, abusos, ofensas e irregularidades que sejam ou possam ser reformados legalmente por autoridade (...) espiritual (...) a fim de conservar a paz, a unidade e a tranquilidade do Reino, não obstante todos os usos, costumes e leis estrangeiras, toda autoridade estrangeira.”

CONCÍLIO DE TRENTO









“Havendo Jesus Cristo concedido à Igreja o poder de conceder indulgência (...); ensina e ordena o sacrossanto Concílio que o uso das indulgências (...) deve conservar-se pela Igreja (...). Não obstante, deseja que se proceda com moderação na sua concessão (...) a fim de que, pela facilidade de concedê-las, não decaia a disciplina eclesiástica. E ansiando para que se emendem e corrijam os abusos que se introduziram nelas, motivo que leva os hereges a blasfemarem contra elas, estabelece (...) que se exterminem de forma absoluta todos os lucros ilícitos que se cobram dos fiéis para que as consigam; pois disto se originaram muitos abusos no povo cristão.”
(Adhemar Marques et ali. História Moderna através de textos. São Paulo: Contexto, 1997. p. 121)

sábado, 20 de agosto de 2011

TEXTOS: ILUMINISMO



“Se um homem em estado de natureza está tão livre quanto se disse, se é senhor absoluto de sua pessoa e bens, igual aos maiores, sem estar sujeito a quem quer que seja, por que abandonará sua liberdade?(...) para que todos sejam (...) como ele, todo homem seu igual e a maior parte deles, como não faz uma rigorosa observância da eqüidade e da justiça, a fruição da propriedade que tem nesse estado é muito arriscada e muito insegura; e não é sem razão que procura e está disposto a formar com outros uma sociedade que já está unida, ou tem idéia de unir para a preservação mútua de suas vidas, liberdades e bens, a que chamo pelo nome geral de propriedade. Portanto, a grande e principal finalidade dos homens que se unem em comunidade é a preservação de sua propriedade...” (LOCKE, John. Sobre o Governo Civil. São Paulo, Ática, 1978.)

O objetivo grande e principal, portanto, da união dos homens em comunidades, colocando-se eles sob governo, é a preservação da propriedade.
(LOCKE, John. SEGUNDO TRATADO SOBRE O GOVERNO, 1690)


ROUSSEAU

"O homem nasce livre, e por toda a parte encontra-se a ferros. O que se crê senhor dos demais, não deixa de ser mais escravo do que eles (...) A ordem social é um direito sagrado que serve de base a todos os outros. Tal direito, no entanto, não se origina da natureza: funda-se, portanto, em convenções." (Do Contrato Social)

"A maioria de nossos males é obra nossa e os evitaríamos, quase todos, conservando uma forma de viver simples, uniforme e solitária que nos era prescrita pela natureza"
"O verdadeiro fundador da sociedade civil foi o primeiro que, tendo cercado um terreno, lembrou-se de dizer 'isto é meu' e encontrou pessoas suficientemente simples para acreditá-lo. Quantos crimes, guerras, assassínios, misérias e horrores não pouparia ao gênero humano aquele que, arrancando as estacas ou enchendo o fosso, tivesse gritado a seus semelhantes: 'Defendei-vos de ouvir esse impostor; estareis perdidos se esquecerdes que os frutos são de todos e que a terra não pertence a ninguém'"



JOHN LOCKE





"E quais poderiam ser as correntes da dependência entre homens que nada possuem? Se me expulsam de uma árvore, sou livre para ir a uma outra"

"A meditação em locais retirados, o estudo da natureza e a contemplação do universo forçam um solitário a procurar a finalidade de tudo o que vê e a causa de tudo o que sente"

"A única instituição que ainda se constitui natural é a Família "

"O homem é bom por natureza. É a sociedade que o corrompe."

"Mesmo quando cada um de nós pudesse alienar-se não poderia alienar a seus filhos: eles nascem homens e livres, sua liberdade lhes pertence e ninguém, senão eles, pode dispor dela. Antes de chegar à idade da razão, o pai pode, em seu nome, estipular as condições de sua conservação, do seu bem-estar, porém, não dá-los irrevogável e incondicionalmente porque um dom semelhante contraria os fins da natureza e sobrepuja os limites da finalidade paternal. Seria, pois, preciso para que um governo arbitrário fosse legítimo, que, em cada geração o povo fosse dono de aceitá-lo ou de rejeitá-lo; porém, então o governo não seria arbitrário."

Sobre o governo, que para Rousseau é "Um corpo intermediário entre os súditos e o soberano, para sua mútua correspondência, encarregado da execução das leis e da conservação da liberdade, tanto civil como política.", e a submissão do povo aos chefes [governantes] diz: "É somente um incumbência, um cargo, pelo qual simples empregados [governantes] do soberano [povo] exercem em seu nome o poder de que os faz depositários, e que ele pode limitar, modificar e reivindicar quando lhe aprouver."

"Se houvesse um povo de deuses, ele seria governado democraticamente. Um governo tão perfeito não convém aos homens."

"Maquiavel, fingindo dar lições aos Príncipes, deu grandes lições ao povo".

MONTESQUIEU

“Quando na mesma pessoa, ou no mesmo corpo de magistrados, o poder legislativo se junta ao executivo, desaparece a liberdade... Não há liberdade se o poder judiciário não está separado do legislativo e do executivo... Se o judiciário se unisse com o executivo, o juiz poderia ter a força de um opressor. E tudo estaria perdido se a mesma pessoa ou o mesmo corpo de nobres, de notáveis, ou de populares, exercesse os três poderes: o de fazer as leis, o de ordenar a execução das resoluções públicas e o de julgar os crimes e os conflitos dos cidadãos”.
(Do Espírito das Leis, 1748)


“É uma verdade eterna: qualquer pessoa que tenha o poder, tende a abusar dele. Para que não haja abuso, é preciso organizar as coisas de maneira que o poder seja contido pelo poder.”(Do Espírito das Leis)
"A religião é menos um tema de santificação do que um tema de discussões que pertence a todos"


"A sutileza do pensamento consiste em descobrir a semelhança das coisas diferentes e a diferença das coisas semelhantes"

"Recebemos três educações diferentes: a dos nossos pais, a dos nossos mestres e a do mundo. O que aprendemos nesta última, destrói todas as ideias das duas primeiras"

"As leis, no sentido mais amplo, são as relações necessárias que derivam da natureza das coisas"

"Quando vou a um país, não examino se há boas leis, mas se as que lá existem são executadas, pois boas leis há por toda a parte"

"As viagens dão uma grande abertura à mente: saímos do círculo de preconceitos do próprio país e não nos sentimos dispostos a assumir aqueles dos estrangeiros"

"Quanto menos os homens pensam, mais eles falam"

"A pessoa que fala sem pensar, assemelha-se ao caçador que dispara sem apontar."

"Leis inúteis enfraquecem as leis necessárias."

"Defenderei sempre o direito de discordarem de mim."

"Só o poder limita o poder." [O Espírito das Leis, Livro XI, Capítulo IV]

VOLTAIRE

"Acreditar em milagres é um absurdo, equivale de certo modo a desonrar a Divindade." (Dicionário Filosófico)

" Meus amigos, uma falsa ciência gera ateus, mas a verdadeira ciência leva os homens a se curvar diante da divindade..." ( Les A, B, C ou Dialogues entre A, B, C, 1768)

"Os homens que comem carne e tomam beberagens fortes têm todos um sangue azedo e adusto, que os torna loucos de mil maneiras diferentes. Sua principal demência se manifesta na fúria de derramar o sangue de seus irmãos e devastar terras férteis, para reinarem sobre cemitérios."
(A Princesa da Babilônia, Capitulo III )

"Eu posso não concordar com o que você diz, mas defenderei até a morte o direito de dizê-las"
"Os voluptuosos careiam companheiros de devassidão. Os interesseiros reúnem sócios. Os políticos congregam partidários. O comum dos homens ociosos mantém relações. Os príncipes têm cortesãos. Só os virtuosos possuem amigos." ( Dicionário Filosófico)
"Todos os que se disseram filhos de deuses foram os pais da impostura. Serviram-se da mentira para ensinar verdades, eram indignos de a ensinar, não eram filósofos, eram, quando muito, mentirosos cheios de prudência." (Dicionário Filosófico)

"Os filósofos sempre foram perseguidos por fanáticos. Será possível, no entanto, que os homens de letras se imiscuam também e eles próprios aticem contra os seus confrades as armas com que todos são trespassados, uns após outros?" ( Dicionário Filosófico)

"O preconceito é uma opinião sem julgamento. Assim em toda terra inspiram-se às crianças todas as opiniões que se desejam antes que elas as possam julgar." ( Dicionário Filosófico)

"Como é que um homem pode se tornar senhor de outro homem e por que espécie de incompreensível magia pôde esse homem se tornar senhor de muitos outros homens?" (Dicionário Filosófico)

"Que é virtude? Beneficência para com o próximo." ( Dicionário Filosófico)

"Filósofo, amante da sabedoria, ou seja, da verdade." (Dicionário Filosófico)

"Que ingenuidade, que pobreza de espírito, dizer que os animais são máquinas privadas de conhecimento e sentimento, que procedem sempre da mesma maneira, que nada aprendem, nada aperfeiçoam! (...) Bárbaros agarram esse cão que tão prodigiosamente vence o homem em amizade, pregam-no em cima de uma mesa e dissecam-no vivo para mostrarem-te suas veias mesentéricas. Descobres nele todos os mesmos órgãos de sentimentos de que te gabas. Responde-me maquinista, teria a natureza entrosado nesse animal todos os órgãos do sentimento sem objetivo algum? Terá nervos para ser insensível? Não inquires à natureza tão impertinente contradição." (Dicionário Filosófico. Em resposta a Descartes)

"As opiniões causaram mais males do que a peste ou terremotos neste pequeno nosso mundo". (Carta para Élie Bertrand, 1759)

"Um historiador é um tagarela que arrelia os mortos." ( Dicionário Universal Nova Fronteira de Citações)

"Admiramo-nos do pensamento; mas o sentimento é igualmente maravilhoso." (Dicionário Filosófico)

“Não é aos homens que me dirijo, é a ti, Deus de todos os seres, de todos os homens e de todos os tempos (…). Que as pequenas diferenças entre as vestimentas que cobrem nossos fracos corpos, entre nossos costumes ridículos, entre todas as nossas leis imperfeitas, entre todas nossas opiniões insensatas (…) que todas essas pequenas nuances que distinguem os átomos chamados homens não sejam motivos de perseguição.” (Tratado Sobre a Tolerância, 1763)

"O abuso da graça é afetação; o abuso do sublime, absurdo. Toda perfeição é um defeito." (Dicionário Filosófico)

"Que é então o perseguidor? É aquele cujo orgulho ferido e o fanatismo em furor irritam o príncipe ou magistrados contra homens inocentes, cujo único crime consiste em não serem da mesma opinião." (Dicionário Filosófico)

"As paixões são como ventanias que enchem as velas dos navios; às vezes elas oprimem, mas sem elas não poderia navegar"

"Os homens que procuram a felicidade são como os embriagados que não conseguem encontrar a própria casa, apesar de saberem que a têm."

"Todas as grandezas desse mundo não valem um bom amigo."

"Que Deus me proteja dos meus amigos. Dos inimigos, cuido eu."

"Quando se trata de dinheiro, todos têm a mesma religião.

"Aquilo a que chamamos acaso não é, não pode deixar de ser, senão a causa ignorada de um efeito conhecido".

"O acaso é uma palavra sem sentido. Nada pode existir sem causa."

"O mundo me intriga. Não posso imaginar que este relógio exista e não haja relojoeiro".

"A leitura engrandece a alma".



"A primeira lei da natureza é a tolerância; já que temos todos uma porção de erros e fraquezas."
KANT
"O direito é o conjunto de condições que permitem à liberdade de cada um acomodar-se à liberdade de todos."














" Todo nosso conhecimento nasce no sentido, passa pelo entendimento e termina na razão."



"A felicidade não é um ideal da razão, mas sim da imaginação."



" A paciência é a fortaleza do débil; a impaciência, a debilidade do forte."



" A sabedoria das mulheres não é raciocinar, é sentir. "



" Não há virtude tão forte que esteja a salvo da tentação."



" Você é livre no momento em que não busca fora de si mesmo alguém para resolver os seus problemas."



"O homem não é nada além daquilo que a educação faz dele".

DIDEROT


"A autoridade do príncipe é limitada pelas leis da natureza e do Estado... O príncipe não pode, portanto, dispor de seu poder e de seus súditos sem o consentimento da nação e independentemente da escolha estabelecida no contrato de submissão..." (artigo " Autoridade política", Enciclopédia. 1751




“Nenhum homem recebeu da natureza o direito de comandar os outros. A liberdade é um presente do céu, e cada indivíduo da mesma espécie tem o direito de gozar dela logo que goze da razão (...) O poder que se adquire pela violência não é mais que uma usurpação e não dura senão pelo tempo por que a força daquele que comanda prevalece sobre a daqueles que obedecem (...) O poder que vem do consentimento dos povos supõe necessariamente condições que torne o seu uso útil à sociedade, vantajoso para a República, e que o fixem e restrinjam entre limites; pois o homem não pode nem deve dar-se inteiramente e sem reserva a outro homem.” (Denis Diderot, em Autoridade Política)


D"ALEMBERT








“Descartes teve pelo menos a ousadia de ensinar os espíritos bons a sacudir o jugo da Escolástica, da opinião, da autoridade, em uma palavra, dos preconceitos e da barbárie; e por meio desta revolta, cujos frutos hoje colhemos, prestou à filosofia um serviço talvez mais essencial do que todos os que deve aos seus ilustres sucessores (...) Embora acabasse por acreditar que podia explicar tudo, começou, pelo menos, duvidando de tudo; e as armas de que nos servimos para combatê-lo, embora as voltemos contra ele, nem por isso lhe pertencem menos.” (D’Alembert, no Discurso Preliminar da Enciclopédia, em 1751)

“Os filósofos se erigiram como preceptores do gênero humano. Liberdade de pensar, eis seu brado, e este brado se propagou de uma extremidade a outra do mundo. Com uma das mãos tentaram abalar o Trono; com a outra quiseram derrubar os Altares. Sua finalidade era modificar nas consciências as instituições civis e religiosas e, por assim dizer, a revolução se processou.” (Denúncia formulada pelo advogado Séquier, em 1770)

TEXTOS: MERCANTILISMO

Sobre o metalismo: “Um país se torna tanto mais rico quanto mais dinheiro ou ouro recebe da terra ou de alguma parte, e mais pobre quanto mais ouro sai dele.” (F. SCHROEDER, 1686)

Sobre a balança comercial: “Os meios ordinários, portanto, para aumentar a riqueza e tesouro são pelo comércio exterior, para o que devemos sempre obedecer a esta regra: anualmente, vender aos estrangeiros mais, em valor, do que consumimos deles.” (T. MUN, 1664)

“As nossas perdas são equivalentes aos lucros realizados pelo estrangeiro... Um país não ganha sem que outro perca.” (A. MONTCHRETIEN, 1615)

Sobre o protecionismo alfandegário: “O comércio é de fato o direito das gentes, mas o príncipe tem o poder de restringi-lo como quiser, limitá-lo como lhe aprouver, onerá-lo ou aliviá-lo de imposições, principalmente no que diz respeito aos estrangeiros.” (A. MONTCHRETIEN, 1616)

Sobre a produção de manufaturas: “Poder-se-ia perguntar o que importa mais para acrescentar uma cidade, se cultivar a terra ou a indústria do homem. E vale mais a indústria, porque são de maior estima e preço as coisas produzidas pelas artificiosas mãos do homem do que as que são engendradas pela natureza.”(J. BOTERO, 1603)

Sobre a importância das colônias: “As colônias não podem esquecer jamais o que devem à mãe-pátria pela prosperidade de que desfrutam. Devem Devem, por consequência: dar à metrópole maior mercado aos seus próprios produtos, dar ocupação ao maior número de seus manufatureiros, artesãos e marinheiros; fornecer-lhes uma maior quantidade de artigos de que ela precisa.”(POSTLETHWAYT, 1747)

GENÉRICAS
“Ordena-se, pela autoridade do Parlamento, que ninguém leve, ou faça levar, para fora deste Reino ou Gales ou qualquer parte do mesmo, qualquer forma de dinheiro da moeda deste Reino, ou de dinheiro, e moedas de outros Reinos, terras e senhorias, nem bandejas, vasilhas, barras ou joias de ouro guarnecidas ou não, ou de prata, sem licença do Rei.”

“A única maneira de fazer com que muito ouro seja trazido de outros Reinos para o Tesouro Real é conseguir que grande quantidade de nosos produtos seja levada anualmente além dos mares e menor quantidade de seus produtos seja para cá transportada (...) Se isso puder ser feito, não será impossível nem improvável mandar para além mar anualmente, em mercadorias, o valor de um milhão e cem mil libras e receber de volta, em todos os tipos de mercadorias, apenas o valor de seiscentas mil libras. Não se segue necessariamente que receberíamos então as outras quinhentas mil libras, seja em ouro ou moeda inglesa?”
(Tudor Economic Documents, de 1549)

“As manufaturas produzirão benefícios em dinheiro, o que é o único fim do comércio e o único meio de aumentar a grandeza e o poderio do Estado.” (Colbert, Ministro de Luís XIV)

“A abundância de ouro e prata é a riqueza de um país.”(Jean Bodin)


TEXTOS DE ABSOLUTISMO







RICHELIEU




O Cardeal de Richelieu dirige-se ao rei da França: “Quando Vossa Magestade resolveu dar-me ao mesmo tempo tanto a entrada no seu Conselho quanto grande parte de sua confiança para a direção dos negócios, posso dizer na verdade que os huguenotes partilham o Estado, que os Grandes comportavam-se como se não fossem seus súditos, e os mais poderosos governadores das Províncias como se fossem soberanos nos seus cargos...Prometi-vos empregar toda a minha indústria, e toda a autoridade que vos agradasse dar-me, para arruinar todos os súditos e erguer vosso nome no lugar em que deveria estar entre as nações estrangeiras.” (Testamento Político)

JACQUES BOSSUET

"Todo poder vem de Deus. Os governantes, pois, agem como ministros de Deus e seus representantes na terra. Resulta de tudo isso que a pessoa do rei é sagrada e que atacá-lo é sacrilégio. O poder real é absoluto. O príncipe não precisa dar contas de seus atos a ninguém." (Citado em Coletânea de Documentos Históricos para o 1º grau. São Paulo, SE/CENP, 1978, p. 79.).

"Três razões fazem ver que este governo é melhor. A primeira é que é o mais natural e se perpetua por si próprio... a segunda razão... é que esse governo é o que interessa mais na conservação do Estado e dos poderes que o constituem... A terceira razão... o trono real não é o trono de um homem, mas o trono do próprio Deus...

“Deus estabelece os reis como seus ministros e reina através deles sobre os povos... Os príncipes agem, portanto, como ministros de Deus e seus lugares-tenentes sobre a Terra... É por isso que vimos que o trono real não é o trono de um homem, mas o próprio trono de Deus... Aparece de tudo isso que a pessoa de rei é sagrada e que atentar contra sua vida é um sacrilégio. Deus fê-lo ungir por seus profetas com uma unção sagrada, como faz ungir os pontífices nos altares.”


“...como não há poder público sem a vontade de Deus, todo governo, seja qual for sua origem, justo ou injusto, pacífico ou violento, é legítimo; todo depositário da autoridade, seja qual for, é sagrado; revoltar-se contra ele é cometer um sacrilégio”.

MAQUIAVEL

"Voltando às outras qualidades atrás mencionadas, digo que todo o príncipe deve desejar muito ser considerado compassivo, e não cruel. No entanto, deve acautelar-se e não aplicar mal sua clemência(...) Portanto, não deve preocupar o príncipe o fato de, para conservar todos os seus súditos em união e obediência, ganhar fama de cruel, pois será muito mais compassivo do que os príncipes que, por excesso de clemência, deixam alastrar as desordens (...) Daqui nasce um dilema: é melhor ser amado que temido, ou o inverso? Respondo que seria preferível ser ambas as coisas, mas, como é muito difícil conciliá-las, parece-me muito mais seguro ser temido do que amado, se só se puder ser uma delas.”
( MAQUIAVEL, Nicolau. O Príncipe. Lisboa, Europa-América, 1976


"O príncipe não precisa ser piedoso, fiel, humano, íntegro e religioso, bastando que aparente possuir tais qualidades. (...) Um príncipe não pode observar todas as coisas a que são obrigados os homens considerados bons, sendo frequentemente forçado, para manter o governo, a agir contra a caridade, a fé, a humanidade, a religião (...). O príncipe não deve se desviar do bem, se possível, mas deve estar pronto a fazer o mal, se necessário. (Adaptado de Nicolau Maquiavel, O Príncipe, em Os Pensadores, São Paulo, Nova Cultural, 1996, pp. 102-103)


JEAN BODIN

"É praticamente impossível treinar todos os súditos de um [Estado] nas artes da guerra e ao mesmo tempo mantê-los obedientes às leis e aos magistrados." (Jean Bodin, teórico do absolutismo, em 1578).


THOMAS HOBBES


“…a única maneira de erigir-se um poder, capaz de defendê-los [os homens] contra a invasão e danos infligidos, uns contra os outros (...) consiste em conferir todo o poder a força a um só homem.”


LUÍS XIV

“Todo poder, toda autoridade residem na mão do rei e não pode haver outra autoridade no reino a não ser a que o rei aí estabelece. Tudo que se encontra na extensão de nossos Estados, de qualquer natureza que seja, nos pertence (...) os reis são senhores absolutos e têm naturalmente a disposição plena e inteira de todos os bens que são possuídos tanto pelas pessoas da Igreja como pelos seculares (...) Aquele que deu reis aos homens quis que os respeitassem como seus lugares-tenentes, reservando apenas a si próprio o direito de examinar sua conduta. Sua vontade é que qualquer um nascido súdito obedeça sem discernimento; e esta lei tão expressa e tão universal não foi feita em favor dos príncipes apenas, é salutar ao próprio povo ao qual é imposta”.
(Memórias Para a Instrução do Delfim)

TEXTOS: RENASCIMENTO CULTURAL



GALILEU GALILEI

"... tenho sido, durante muitos anos, um aderente à teoria de Copérnico. Isto me explica a causa de muitos fenômenos que são ininteligíveis por meio de teorias geralmente aceitas. Eu tenho coligido muitos argumentos para refutar estas últimas, mas eu não me arriscaria a levá-los à publicação. Há muito tempo que estou convencido de que a Lua é um corpo como a Terra. Descobri também uma multidão de estrelas fixas, a princípio invisíveis, ultrapassando mais de dez vezes as que se podem ver a olho nu, formando a Via Láctea." (Carta de Galileu a Kepler, 1597.)

THOMAS MORUS

"Efetivamente, em todos os pontos do reino onde se obtém a mais fina lã, portanto a mais preciosa, os senhores, os nobres e até os santos abades não se contentam mais com os rendimentos e produtos que seus antepassados costumavam retirar de seus domínios. Não lhes é mais suficiente viver na preguiça e nos prazeres; estes homens, que nunca foram úteis à sociedade, querem-lhe ainda ser nocivos. Não deixam nenhuma parcela de terra para ser lavrada; toda ela transformou-se em pastagens. Derrubam casas, destroem aldeias, e, se poupam as igrejas, é, provavelmente, porque servem de estábulos a seus carneiros[...] Assim, para que um insaciável devorador, peste e praga de seu próprio país, possa abarcar num único campo milhares de braças, uma quantidade de pequenos agricultores se vêem escorraçados de seus bens. Uns saem enganados, outros são expulsos à força; alguns, enfim, cansados de tantos vexames, se vêem forçados a vender o que possuem. Enfim, esses infelizes partem, homens e mulheres, casais, órfãos, viúvos, pais com os filhos nos braços. Todos emigram, largam seu lugares, os lugares onde viveram, e não sabem onde se refugiar. Toda a sua bagagem, que pouco valeria se tivessem a possibilidade de esperar um comprador, é cedida a preço vil, dada a necessidade de dela se desfazerem. Logo os veremos errantes, privados de qualquer recurso. Só lhes resta roubar e serem enforcados, segundo as regras." Thomas Morus, A Utopia. 2a ed., Brasília, Ed. Universidade de Brasília, 1982, p. 16.

"As tropas inumeráveis de carneiros que se espalham atualmente por toda a Inglaterra, constituidas por animais tão doces, tão sóbrios mas (que) são, no entanto, tão vorazes e ferozes que comem até pessoas e despovoam os campos, as casas e as aldeias. Com efeito, em todas as partes do reino, onde se produzem as mais finas e preciosas lãs, ocorrem, para disputar a terra, os nobres, os ricos, e mesmo os santos abades."A Utopia, de Thomas Morus, publicado em 1516

"Assim o avarento fecha, num cercado, milhares de jeiras; enquanto que honestos infelizes abandonam (...) Então vendem a baixo preço o que puderam carregar de seus trastes (...) Esgotados esses fracos recursos, que lhes resta? O roubo, e, depois, o enforcamento segundo as regras.” (Thomas Morus, Utopia)


PICO DELLA MIRANDOLA

“ Eu te coloquei no centro do mundo, a fim de poderes inspecionar, daí, de todos os lados, da maneira mais cômoda, tudo que existe. Não te fizemos nem celeste, nem terreno, mortal ou imortal, de modo que assim, tu, por ti mesmo, qual modelador e escultor da própria imagem, segundo tua preferência e, por conseguinte, para tua glória, possas retratar a forma que gostarias de ostentar.” (Fala de Deus a Adão. Pico della Mirandola, 1486. PICO DELLA MIRÁNDOLA, Giovanni. A Dignidade do Homem. São Paulo. 1988.

“Nós, pintores, queremos, pelos movimentos do corpo, mostrar os movimentos da alma (...) Convém, portanto, que os pintores tenham um conhecimento perfeito dos movimentos do corpo e os aprendam na Natureza para imitar, por mais difíceis que sejam, os múltiplos movimentos da alma.” (Leon Batista Alberti, Tratado Della Pintura, citado por TENENTI, Florença na época dos Médici).

SHAKESPEARE

"Que obra-prima é o homem! Como é nobre em sua razão! Como é infinito em faculdades! Em forma e movimentos, como é expressivo e maravilhoso! Nas ações, como se parece com um anjo! Na inteligência, como se parece com um deus! A maravilha do mundo! O padrão de todos os seres criados!" Hamlet,William Shakespeare, trad., São Paulo: Martin Claret, 2002, p.47.

LEONARDO DA VINCI

“O homem é o modelo do mundo. A experiência é a mestra das coisas.” Leonardo da Vinci

“Já fiz planos de pontes muito leves (...). Conheço os meios de destruir seja que castelo for (...). Sei construir bombardas fáceis de deslocar, carros cobertos, inatacáveis e seguros, armados com canhões. Estou (...) em condições de competir com qualquer outro arquiteto, tanto para construir edifícios públicos ou privados como para conduzir água de um lugar para outro. E, em trabalhos de pintura ou na lavra do mármore, do metal ou da argila, farei obras que seguramente suportarão o confronto com as de qualquer outro, seja ele quem for.”
[Leonardo da Vinci (retirado de Jean Delumeau, A Civilização do Renascimento, Lisboa, Editorial Estampa, 1984, vol. 1, p. 154)]





“Aqueles que se entregam à prática sem Ciência são como o navegador que embarca em um navio sem leme e sem bússola. Sempre a prática deve se fundamentar na boa teoria. Antes de fazer de um caso uma regra geral, experimente-o duas ou três vezes e verifique se as experiências produzem os mesmos efeitos. Nenhuma investigação humana pode se considerar verdadeira Ciência se não passar por demonstrações.” (Leonardo da Vinci)





ERASMO DE ROTTERDAM






“Rivais dignos dos príncipes, os soberanos pontífices, os cardeais e os bispos (...) Hoje (...) os bispos apenas se preocupam em apascentar-se a si próprios, deixam o cuidado do rebanho de Cristo (...) esquecem que a palavra bispo significa trabalho, vigilância, solicitude. Servem-se apenas de tais qualidades quando pretender receber dinheiro (...) Se os Sumos Pontífices, que estão no lugar de Cristo, se esforçassem para imitá-lo na pobreza, nos trabalhos, na sabedoria, no sofrimento e no desprezo das coisas terrenas (...) não seriam eles os mais infelizes dos homens? ... Vede quantas riquezas, honras, troféus, ofícios, dispensas e impostos, indulgências, cavalos, mulas, guardas e prazeres (...) Ora, tudo deveria ser substituído pelos jejuns, vigílias, lágrimas, orações, sermões, estudos e penitências e mil outros incômoos enfadonhos.” (Erasmo de Rotterdam, O Elogio da Loucura)

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

UM EXEMPLO DE CONSCIÊNCIA HISTÓRICA

Um dos muitos comentários importantes de postagens neste blog foi feito pela Professora Thaís Cavalcante. É fundamental entrar em seu blog "INSUSTENTÁVEL", ali, do lado direito deste, e procurar o depoimento de um homem negro para a BBC de Londres.
Nós, homens e mulheres já descemos das árvores. Temos as mãos de afago, face de sorriso, braços de abraços, boca de beijos, voz de fala mansa, olhar de esperanças. Somos, sim, dotados de um grau de humanidade e de humanismo.
Todavia, sabemos, "todo homem é humano, mas alguns se esquecem disso", nos dizeres de Augusto Boal. E sabemos também que a palavra é poderosa. A palavra é um soldado libertador. O conjunto organizado de palavras é um batalhão libertário. Um livro de palavras é um exército. Não fosse assim, a Inquisição de antes de ontem não teria queimado livros, nem seus autores, nem seus leitores. As ditaduras militares, as Inquisições de ontem, não teriam invadido bibliotecas, redações, palcos, universidades. E a Inquisição de hoje invade a Internet, para evitar que os afagos os sorrisos, os beijos, as esperanças humanas deixem de ser individuais, já que nunca foram, e tomem corpo nas praças, nas ruas, nas fábricas, nos campos. Na Síria, no Egito, na Líbia, em Madri, em Londres, em Manchester...
A bala que matou o negro nas ruas de Londres matou seu corpo, é inexorável. Mas não matou sua alma sofrida e humilhada pelo sistema policial repressor, defensor do estabelecido, surdo, míope, cego, brutal como animal acuado em cima da árvore.
Para nós, homens humanos, a indignação invade o coração, pois temos coração. E invade a alma, pois temos alma. Mas, por enquanto, temos as mãos de carícias. E a bala que atingiu o negro é o não-pão que atingiu a criança da Somália. E as mãos de carícias, por enquanto, deixam-se cair flácidas de lágrimas pelo outro que não é outro senão nós mesmos, os homens.
Por enquanto, apenas por enquanto...

http://xucurus.blogspot.com/2011/08/excelente-video-fala-de-um-senhor-negro.html

domingo, 14 de agosto de 2011

DÍVIDA EXTERNA E DÍVIDA ETERNA












“Eu, Guaicaipuro Cautémoc, descendente dos que povoaram a América há 40 mil anos, vim aqui encontrar os que nos encontraram há apenas 500 anos. O irmão advogado europeu me explica que aqui toda dívida deve ser paga, ainda que para isso se tenha que vender seres humanos ou países inteiros. Pois bem! Eu também tenho dívidas a cobrar. Consta no arquivo das Índias Ocidentais que, entre os anos 1503 e 1660, chegaram à Europa 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata vindos de minha terra. (...)
Prefiro crer que nós, índios, fizemos um empréstimo a vocês, europeus. Ao comemorar o quinto centenário desse empréstimo, perguntamo-nos se vocês usaram racional e responsavelmente os fundos que lhe adiantamos. Lamentamos dizer que não. Vocês dilapidaram esse dinheiro em armadas invencíveis, terceiros Reichs e outras formas de extermínio mútuo. E acabaram ocupados pelas tropas da OTAN. (...)
Por isso, meus senhores da Europa, eu, Guaicaipuro Cautémoc, me sinto obrigado a cobrar o empréstimo que tão generosamente lhes concedemos há 500 anos. E os juros. É para seu próprio bem. Não, não vamos cobrar de vocês as taxas de 20 a 30 por cento de juros ao ano que vocês impõem ao Terceiro Mundo. Queremos apenas a devolução dos metais preciosos, mais 10 por cento ao ano sobre os 500 anos. Lamento dizer, mas a dívida europeia para conosco, índios, pesa mais que o planeta Terra!
Sei que vocês não têm esse dinheiro, porque não souberam gerar riquezas com nosso generoso empréstimo. Entretanto, há sempre uma saída: entregue-nos a Europa inteira como primeira prestação de sua dívida histórica.”




(Atribuído ao índio Guaicaipuro Cautémoc ao reinvidicar opagamento da “dívida externa”da Europa

domingo, 7 de agosto de 2011

RACISMO: UMA DAS ORIGENS


No Antigo Testamento há uma passagem importante, usada como pretexto ideológico para o racismo: “Sendo Noé lavrador, passou a plantar uma vinha. Bebendo do vinho, embriagou-se e se pôs nu dentro de sua tenda. Cam, pai de Canaã, vendo a nudez do pai, fê-lo saber, fora, a seus dois irmãos. Então, Sem e Jafé tomaram uma capa, puseram-na sobre os próprios ombros de ambos e, andando de costas, rostos desviados, cobriram a nudez do pai, sem que a vissem. Despertando Noé do seu vinho, soube o que lhe fizera o filho mais moço e disse: Maldito seja Canaã; seja servo dos servos a seus irmãos. E ajuntou: Bendito seja o SENHOR, Deus de Sem; e Canaã lhe seja servo. Engrandeça Deus a Jafé, e habite ele nas tendas de Sem; e Canaã lhe seja servo.” (Gênesis 9:20 a 27)
Segundo a Bíblia, o repovoamento do mundo após o dilúvio foi iniciado pela prole de Noé: Sem, Jafé e Cam e suas esposas. Uma interpretação cristã produziu o seguinte mapa, datado de 1472:












  • No mapa, a geografia se coloca a serviço da religião. A Terra é dividida em três partes (separadas por um “T” ou por uma cruz), a Europa, a Ásia e a África, circundadas pelo oceano, o “MARE OCEANVUN”. Jafé e sua prole povoaram a Europa, Sem e sua prole povoaram a Ásia e Cam e sua prole povoaram a África.

    Pela interpretação dada à passagem bíblica, Noé, embriagado, adormeceu despido. Jafé e Sem trataram de cobri-lo, sem olharem para sua nudez, em sinal de respeito. Cam, pai de Canaã, riu do estado de seu pai. Noé amaldiçoou Cam, condenando sua descendência à escravidão. E Jafé e Sem seriam senhores dos descendentes de Cam.

    Portanto, o fundamento ideológico para justificar a escravidão de africanos, os “filhos de Cam”, estava lançado. E a elaboração da consciência racista incluía a divisão dos não cristãos em duas categorias, o pagão e o infiel. O primeiro deveria ser convertido e o segundo, combatido.

    A partir do século XV, a Revolução Comercial institucionalizou o renascimento da escravidão. O capitalismo em formação resgatou a escravidão antiga (da Grécia e de Roma), praticamente inexistente na Idade Média europeia, cuja força de trabalho era a servidão.
    Na escravidão moderna, o escravo tinha duplo valor, valor de troca e valor de uso. O primeiro era o valor comercial, de mercado, do tráfico humano. O segundo era o do trabalho escravo produzindo mercadorias para o sistema capitalista comercial. Assim, o escravo, por ter duplo valor, era duplamente gerador de capital, acumulado no centro do sistema. A justificativa ideológica se casava com os interesses da acumulação primitiva de capital. Ou, para ser mais preciso, a superestrutura se adequava às bases materiais, infraestruturais.

    As justificativas bíblicas deram origem a outros argumentos, ditos “científicos”, classificando a humanidade em “raças”. Um dos mais influentes teóricos racistas foi o francês Joseph Arthur de Gobineau, que viveu entre l816 e l882. Em seu Ensaio Sobre a Desigualdade das Raças Humanas defende a superioridade da “raça ariana” e trata a miscigenação como impedimento para um povo atingir o estágio de civilização.

    No caso do Brasil, a escravidão institucionalizada existiu até 1888. Mas, a partir da metade do século XIX, o trabalhador imigrante europeu passou a substituir o trabalho escravo, principalmente nas fazendas de café do Oeste Paulista. Entre as razões para justificar a imigração estava a “necessidade de embranquecer a população”. O próprio Gobeneau, que morou no Rio de Janeiro entre 1869 e 1870 a serviço de seu país, afirmou que a mestiçagem impediria eternamente o progresso no Brasil.



  • Teses como essas plasmaram muitos intelectuais do final do Império e início da República. A intelectualidade se colocava a favor ou contra nos debates privados e públicos, nos cafés, nos jornais, nas câmaras políticas, nos gabinetes.
    Em 1895, o quadro “A Redenção de Cam” (de Modesto Brocos, espanhol radicado no Brasil) foi premiada na Escola Nacional de Belas Artes com a medalha de ouro.
    Na pintura, há uma idosa negra com as mãos para o céu, agradecendo o fato de seu neto ter nascido branco, visto ser fruto da relação de um homem branco com uma mulher mestiça.
    O artista soube captar perfeitamente o desejo elitista de embranquecimento da população. E as teses racistas se consolidaram, principalmente nos ciclos formadores de opinião, como a Escola Nacional de Belas Artes. Para as elites, a população brasileira deveria ser como a europeia: branca, ariana, filha de Jafé.









terça-feira, 2 de agosto de 2011

BRASIL CRESCE E SÃO PAULO ENCOLHE

Publicada por Conceição Lemes em 19 de julho de 2011 (10:24) na Você escreve
do blog SeaRádioNãoToca
Os jornais do último sábado trouxeram notícias que apontam que a cidade de São Paulo já não é mais o destino preferido dos nordestinos, que preferem permanecer lá ou migrar para outras regiões que não São Paulo.
De um lado, isso se deve à melhoria das condições de vida no Nordeste e Centro-Oeste. De outro, à deterioração das condições de vida, especialmente na capital paulista, cujos símbolos poderiam ser o trânsito caótico, a superlotação do metrô e a insegurança permanente do cidadão.
Além do retorno de migrantes e fuga de engenheiros e mão-de-obra qualificada para o Nordeste e outras regiões do país, essa situação da capital paulista tem levado à expansão das cidades médias do estado de São Paulo, como Sorocaba e Jundiaí.
Essa mudança no movimento populacional se relaciona ao crescimento do mercado consumidor no Nordeste e demais regiões e à perda, pelo Sudeste, de fatia do mercado nacional. Matéria publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, em 1º de maio de 2011, projeta que a região Sudeste perderia algo como R$ 12 bilhões.
O programa “Luz para Todos”, o crescimento do emprego (em várias regiões já vivemos o pleno emprego), as políticas sociais, como a bolsa família e aumento real de quase 50% do salário mínimo, e outras políticas levaram à criação do mercado de massas e à inclusão de milhões de pessoas.
Outro indicador da perda da pujança paulista apareceu na matéria do jornal Folha de S. Paulo, que afirma:
“A diferença entre os salários de São Paulo e do resto do Brasil está diminuindo. E, em algumas regiões e setores, ela já desapareceu.
Levantamento do IBGE comparando o rendimento médio dos trabalhadores da região metropolitana de São Paulo com os de outras cinco — Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife e Salvador — mostra que em todas houve redução da diferença entre 2003 e 2011.
Isso aconteceu porque os salários dos paulistanos e dos habitantes dos municípios vizinhos cresceram em ritmo menor do que os dos trabalhadores das outras regiões metropolitanas.
No Rio, a remuneração média aumentou mais -chegou a R$ 1.682 em fevereiro, superando em R$ 45 a de São Paulo (R$ 1.637)”.
Segundo o blog Transparência SP, “constata-se o baixo crescimento dos rendimentos médios dos paulistanos em relação a outras capitais do país. Reforça-se, mais uma vez, a falta de políticas de desenvolvimento no Estado de SP”.
A melhoria salarial das outras regiões e a carência de mão-de-obra, com a elevação do salário dos mais pobres, contrastam com o discurso da elite paulista que prega a sua supremacia política. Afinal, em seu imaginário, são os doutores como ex-presidente Fernando Henrique Cardoso que devem governar, e os nordestinos devem ser expulsos de São Paulo.
Curiosamente são os próprios nordestinos que, por não aguentarem mais a deterioração da vida em São Paulo, estão voltando para os seus estados, tal como queria a elite. Ironicamente, são os ricos e classe média paulista que agora vivem lamentando que não consigam mais empregadas domésticas, eletricistas, pedreiros e outros serviços. E começam a perceber que a vida sem eles é mais difícil…..
Todas essas considerações reforçam o cenário que já foi desenhado em texto publicado no Viomundo, mostrando que a economia paulista perdeu R$ 128 bilhões de 1995 a 2008.
A perda da vitalidade econômica paulista tem trazido outros subprodutos, como o crescimento de movimentos separatistas e de grupos de características neonazistas que, segundo reportagem do jornal Agora, chegariam a 250 somente na Grande São Paulo. Infelizmente, eles têm incrementado ações racistas e xenófobas contra nordestinos e homossexuais. E parte do tom de ódio da campanha de 2010 do candidato José Serra (PSDB) pode ser entendido nesse contexto.
Matéria tirada do Viomundo - O que você não vê na mídia - http://www.viomundo.com.brLink da matéria: http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/brasil-cresce-sao-paulo-encolhe.html

CHINA: GUERRAS CONTRA O IMPERIALISMO






O Império Chinês foi um dos palcos do neocolonialismo e imperialismo. Europeus e norte-americanos tinham enormes interesses na região. A luta contra o domínio estrangeiro levou às Guerras do Ópio e à Guerra dos Boxers.

A PRIMEIRA GUERRA DO ÓPIO (1839/1842)

A economia chinesa é secularmente, agrária, mas seu artesanato era apreciado e objeto de comércio internacional. No início do século XIX, o porto de Cantão era o único que podia comercializar com o exterior.
Os comerciantes ingleses levavam ópio da Índia para a China e tinham interesses em ampliar seus negócios. Em 1839, o governo chinês confiscou 20 mil caixas de ópio dos depósitos britânicos em Cantão e as atirou ao mar.
No ano seguinte, o chanceler britânico, Lord Palmerston, mandou atacar a China. Os ingleses sitiaram algumas áreas e ameaçaram Nanquim e as comunicações com a capital.
A capitulação chinesa levou ao Tratado de Nanquim, em 1842, o primeiro dos tratados desiguais, pelo qual a Inglaterra recebia Hong-Kong, a abertura de cinco portos chineses e enorme indenização de guerra.

A SEGUNDA GUERRA DO ÓPIO (1856/1860)

Em 1856, mais uma vez as forças imperialistas (ingleses e franceses) iniciam a guerra sob o pretexto de que o governo chinês abordou um navio inglês carregado de ópio.
Foi imposto à China o Tratado de Tianjin, pelo qual os portos chineses seriam abertos ao comércio com o Ocidente, garantiam-se direitos extraterritoriais e liberdade de ação aos comerciantes e missionários ocidentais.

O BREAK-UP

A partilha da China (Break-up) em áreas de influência foi consolidada após a Guerra Sino-Japonesa (1894-95), conflito que também assinala a emergência do Japão como potência imperialista.

A GUERRA DOS BOXERS (1899/1900)

A Sociedade dos Punhos da Justiça e da Concórdia desencadeou um movimento anti-ocidental e contra a dinastia Manchu, na província de Shandong.
Tinha suas origens na pobreza rural, no desemprego, na miséria. Os boxers, como são conhecidos, atacaram missionários, chineses e cristãos, invadiram bens estrangeiros e cercaram Beijing.
Foram sufocados por forças estrangeiras( Reino Unido, EUA, França, Japão Rússia e Alemanha) que ocuparam e saquearam a capital.
Mais uma vez, pelo Protocolo Boxer, a China foi obrigada a pagar pesadas reparações aos estrangeiros, aumentando a influência imperialista.