quarta-feira, 31 de maio de 2017

REVOLUÇÃO RUSSA

(Esta postagem é destinada a estudantes de Ensino Médio)


Marx e Engels: “Para nós, não se trata de reformar a propriedade privada, mas de aboli-la; não se trata de atenuar os antagonismos de classes, mas de abolir as classes; não se trata de melhorar a sociedade existente, mas de estabelecer uma nova".

A RÚSSIA ANTES DA REVOLUÇÃO
A estrutura agrária tradicional da Rússia era a comunidade conhecida por mir.
A propriedade da terra era coletiva, o que levava à igualdade econômica e social entre os camponeses.
Essa realidade começou a mudar no século XV.  Avançou o regime de servidão e a destruição do mir, enquanto o Estado Imperial tornava-se centralizado nas mãos do czar. Posteriormente, com o avanço do capitalismo, o uso da terra tornou-se privado, a servidão e as comunidades aldeãs desapareceram. 
Os kulaks, grandes proprietários de terra, produzindo para mercado, enriqueceram e se fortaleceram politicamente, fazendo aumentar o fosso que os separava dos empobrecidos e endividados camponeses. 
Nos centros urbanos, formou-se um enorme exército de reserva, fruto do êxodo rural dos camponeses sem terra.A indústria era dominada pelo capital externo e concentrava-se em dois polos, Moscou e Petrogrado (São Petersburgo). As pequenas indústrias, de capital russo, não resistiam ao capital internacional. 
Como a indústria era concentrada em polos, também o proletariado era concentrado nesses polosNum panorama geral, o proletariado era pequeno, mas era a grande maioria naqueles polos industriais. Neles, o proletariado passou a ter consciência de classe. 
Os Romanov
Na Rússia, em pleno século XX, a autocracia czarista, continuava, apoiada nas forças de conservação: aristocracia, alto clero e alto comando militar. 
“O Imperador de todas as Rússias é um monarca autocrata e ilimitado. O próprio Deus determina que o seu poder supremo seja obedecido, tanto por consciência como por temor”, dizia o Artigo I das Leis Fundamentais do Império, publicadas em 1892.

AS IDEOLOGIAS RUSSAS DO INÍCIO DO SÉCULO  XX
 Os ocidentalistas se inspiravam nas ideias francesas e inglesas.
Os eslavófilos eram defensores da tradição do povo russo e do pan-eslavismo.
Os narodniques pretendiam resgatar as comunidades aldeãs, do socialismo agrário.

Em 1898, nasceu o Partido Social-Democrático Russo, ideologicamente marxista.
Em 1903, o partido rompeu-se em dois, o menchevique (minoria, em russo) e o bolchevique (maioria, em russo). 
Para os mencheviques, a revolução deveria seguir os moldes das ocorridas na Inglaterra do século XVII e na França do século XVIII.
Deveria ser uma revolução burguesa, que derrubasse o Antigo Regime, industrializasse a Rússia para fazer crescer o operariado e, depois disso, ter condições de uma revolução proletária.
 Para Marx e Engels, “A revolução só poderá ocorrer nos países mais avançados do capitalismo”. 
Para os bolcheviques, a revolução proletária deveria ser imediata, aliada aos camponeses, partindo de São Petersburgo e de Moscou, onde o operariado constituía a maioria.
Para eles, o partido centralizado, com uma vanguarda organizada e disciplinada, deveria comandar o processo revolucionário. 
1905: 0 ANO DO ENSAIO GERAL

Vários acontecimentos indicaram que a revolução estava próxima, como o episódio do "Domingo Sangrento", do levante do Encouraçado Potenkim. A derrota da Rússia contra o Japão acelerou o divórcio entre o czarismo e a soldadesca, a quem foi atribuída a derrota. 
Pressionado, Nicolau II tentou uma manobra, criando a Duma, uma espécie da parlamento, com poder legislativo. Mas a Duma era manobrada e manipulada pelo czar.

Após a derrota no Japão, a Rússia desloca seus interesses para a Península Balcânica. Entra em conflito com interesses alemães e austríacos.Apoiou a Sérvia e sua luta pelo pan-eslavismo.

1914: ECLODE A PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

Alegoria da Tríplice Entente, França. Rússia e Inglaterra

A Rússia, a França e a Inglaterra formaram a Tríplice Entente, contra a Alemanha, a Itália e o Império Austro-Húngaro. As constantes derrotas e o alto índice de mortos russos demonstraram o atraso diante daquelas potências. A economia russa estava arrasada. 






23 DE FEVEREIRO (8 DE MARÇO)DE 1917

A paralização de uma fábrica em São Petersburgo torna-se greve geral espontânea, para surpresa de muitos, até de bolcheviques.
Tropas do czar, enviadas contra os grevistas, se amotinaram, tomaram quarteis e ficaram ao lado do povo.
“Há décadas em que nada acontece e semanas em que décadas acontecem” (Texto de Karl Marx, que se encaixou com perfeição aos acontecimentos daquele fevereiro).)

  Em 25 de fevereiro, a greve operária se converte em greve política geral. O Comitê de Petrogrado do Partido Bolchevique emite uma proclamação, pela revolução e contra a presença russa na guerra mundial:

Proletários de todos os países, uni-vos! A vida tornou-se impossível. Não há nada para comer. Não há com que vestirmo-nos e aquecermo-nos.
Na frente – o sangue, as mutilações, a morte. Fornada após fornada. Comboio após comboio, como rebanhos de gado, nossos filhos e nossos irmãos são enviados para o matadouro de homens.”

REVOLUÇÃO MENCHEVIQUE (FEVEREIRO DE 1917)

Os mencheviques tomaram o poder e prenderam o czar e sua família. Formou-se um governo provisório, com destaque para Kerensky. Seguia o modelo revolucionário da Inglaterra e da França, ou seja, da revolução liberal burguesa.
Essa revolução representa um avanço, no sentido de ter derrubado o Antigo Regime russo, mas mostrou-se conservador em relação aos "compromissos internacionais", ou seja, a Rússia continuou na Primeira Guerra Mundial.

Os bolcheviques se fortaleceram, atuando nos sovietes, os conselhos de representantes do povo (camponeses, operários, soldados, marinheiros). A força dos sovietes era tal que foi formado um governo paralelo ao poder oficial: "Kerensky governa a Rússia e os sovietes governam os russos."

Lênin, líder bolchevique, publicou as Teses de Abril, divulgado para as massas pelos sovietes. Defendia que o povo russo precisa de Paz, de Pão e de Terra. Era necessário sair da guerra mundial e fazer a revolução proletária e camponesa. 

REVOLUÇÃO BOLCHEVIQUE (OUTUBRO/1917)

“TODO PODER AOS SOVIETES” foi o grito revolucionário que derrubou o governo de Kerensky. 
Lênin e os sovietes tiram a Rússia da Primeira Guerra Mundial, assinando um tratado com a Alemanha, o  Tratado de Brest-Litovsky. Com isso, as tropas alemãs da Frente Oriental (Rússia) puderam se deslocar para a Frente Ocidental (França, Bélgica, Inglaterra).
Mesmo tendo cedido à Alemanha vastos territórios e ricas regiões, sair da guerra mundial significou que milhares de soldados russos voltam para casa, trazendo suas armas e sabendo usá-las. Era necessário consolidar a revolução. 

DECRETO SOBRE TERRAS DOS SOVIETES DE DEPUTADOS OPERÁRIOS E SOLDADOS
1) Fica abolida, pelo presente decreto, sem nenhuma indenização, a propriedade latifundiária.
 2) Todas as propriedades dos latifundiários, bem como as dos conventos e da igreja, acompanhadas de seus inventários, construções e demais acessórios ficarão a disposição dos comitês de terras e dos Sovietes de Deputados Camponeses, até a convocação da Assembleia Constituinte.

       3) Quaisquer danos causados aos bens confiscados, que pertencem, daqui por diante, ao povo, é crime punido pelo tribunal revolucionário.
Presidente do Soviete de Comissários do Povo - Vladimir Ulianov – Lênin, em 26 de outubro (8 de novembro) de 1917
 (ln: NENAROKOV, A. P. 1917: "a Revolução mês a mês". Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1967. p.169.)
GUERRA CIVIL E COMUNISMO DE GUERRA (1918 a 1921)

Entre os anos de 1918 e 1921, a Rússia foi arrasada por uma longa guerra civil, tendo de um lado os "Russos Vermelhos" e de outro os "Russos Brancos", estes apoiados por potências capitalistas que pretendiam varrer a revolução socialista.
Capitalistas aliam-se aos Russos Brancos para destruir a Revolução
Nesse período, foi lançado o Comunismo de Guerra, no qual o Estado planificou a economia, coletivizou os meios de produção como forma de vencer a guerra contra os "Brancos". 
Comandado por Trotsky, o Exército Vermelho saiu vitorioso militarmente. Mas a economia estava devastada. Era o caos para as massas populares.

NEP – NOVA POLÍTICA ECONÔMICA
(Um passo para trás e dois para a frente)

Ao terminar a Guerra Civil, estava garantida a sobrevivência da Revolução. Era preciso, agora, recuperar a economia e acabar com a profunda crise. Pela Nova Política Econômica, foi permitida a pequena propriedade privada, com o retorno de características capitalistas.
Continuou a planificação da economia pelo Estado, convivendo empresas estatais com empresas privadas. Lentamente, a  Rússia começou a sair da crise econômica. 

Em 1922, nasceu a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e
 o Partido Bolchevique tornou-se Partido Comunista da União Soviética (PCUS).
A MORTE DE LÊNIN E ASCENSÃO DE STÁLIN

Em 1924, faleceu Lênin, o mais importante nome da Revolução Bolchevique. A alta cúpula do Partido Comunista foi disputada por Trotsky e Stálin. 
Para os trotskistas, a revolução deveria ser permanente e imediatamente internacionalizada e a URSS deveria apoiar revoluções socialistas em outros países. 
Para os stalinistas, a revolução deveria se concretizar na URSS, o "socialismo de um só país".

Os altos dirigentes da URSS deram a vitória a Stálin, que ficará no poder até sua morte, em 1953.

A UNIÃO SOVIÉTICA STALINISTA (1924 a 1953)

Joseph Stálin implantou uma ditadura pessoal implantando na URSS um Estado totalitário. Assim, a URSS afastou-se da tese marxista da ditadura do proletariado, ou seja, da maioria sobre a minoria. Na verdade, Stálin substituiu as classes do mundo capitalista pelos privilégios de novas classes: os burocratas e a cúpula militar. 
Seu governo foi marcado pelos “Processos de Moscou”: que resultaram em expurgos, prisões, campos de concentração, trabalhos forçados, perseguições e execuções de opositores, especialmente os trotskistas.
“Entre 1933 e 1939, cerca de cinco milhões de filiados do Partido foram expurgados: quanto mais se ascendia no Partido, mais sangrento era o expurgo.” (Carrère, H., Le Pouvoir Confisqué)

PLANOS QUINQUENAIS
O Estado planifica e coletiviza a economia, optando pela indústria de base e de equipamentos, em detrimento da produção para consumo.
Foram criados os Sovkoses (fazendas do Estado, com trabalho camponês assalariadoe os Kolkoses (cooperativas de produção onde o camponês produz uma parte para si mesmo)
O Estado tornou-se economicamente forte, sem preocupação com a produção para o mercado. O esforço foi orientado para a indústria pesada (siderúrgica e química), para fortalecer a infraestrutura, como a eletrificação e o sistema viário.

A URSS tornou-se potência mundial, a ponto de ter enfrentado e derrotado a Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial e ter se transformado em um dos dois polos da Guerra Fria.


sexta-feira, 26 de junho de 2015

28 DE JUNHO DE 1914... E O MUNDO NUNCA MAIS FOI O MESMO



     Aos 85 anos de idade, o Imperador da Áustria, Francisco José estava com sua saúde comprometida. Não faltaria muito para que seu herdeiro, Francisco Ferdinando, assumisse o trono do Império Austro-Húngaro.
     Uma intensão do herdeiro austríaco era ampliar sua coroa dual (Áustria e Hungria) para uma coroa trina, que incluiria os eslavos balcânicos. Para tanto, seria necessário sujeitar o nacionalismo daqueles pequenos Estados eslavos.
     Desde 1814, o Congresso de Viena redesenhou o mapa geopolítico da Europa, nele surgindo os grandes impérios vencedores de Napoleão, fazendo emergir a Europa de Metternich, conservadora, que tentou varrer o liberalismo do continente.
     Contudo, as Revoluções de 1815, de 1820, de 1848, foram impulsionadas pelo liberalismo e pelo nacionalismo e, a partir de 1848, do socialismo. No caso dos eslavos, a grande força era, sem dúvida, o nacionalismo, o pan-eslavismo, apoiado pelo Império Russo, interessado no livre trânsito de seus navios pelos estreitos de Bósforo e de Dardanelos.
     Naquele 28 de junho de 1914, os eslavos da Sérvia relembravam o aniversário da Batalha de Kosovo, de 1389, na qual os cristãos eslavos foram derrotados pela expansão muçulmana dos turcos, que ocuparam a Península Balcânica.
     Naquele 28 de junho, o herdeiro austríaco, Francisco Ferdinando não deu ouvidos aos seus auxiliares e agiu sem o mínimo de prudência num palco balcânico explosivo. Decidiu ir a Sarajevo, na Bósnia, cuja população nacionalista pró-Sérvia via os austríacos como inimigos, dominadores.
     Levava consigo sua esposa, a Condessa Sofia Chotek. Estre os bósnios e sérvios, resistentes aos austríacos, formaram-se muitas sociedades secretas, uma nacionalistas, outras anarquistas. A Jovem Bósnia e a Mão Negra eram duas delas e tramaram a execução de Francisco Ferdinando. Para alguns analistas, o amadorismo dos executores do plano só não foi menor que o despreparo das autoridades austríacas na Bósnia. “... os rapazes da Jovem Bósnia se armaram e foram esperar o arquiduque nas ruas de Sarajevo. Quando este, com sua esposa e demais membros da comitiva, dirigia-se ao edifício da Câmara Municipal, um primeiro conspirador não conseguiu tirar o revólver do bolso porque havia muita gente ao seu redor; o segundo entrou em pânico e nada fez; o terceiro teve pena da esposa do potentado austríaco. Por sua vez, o quarto foi para casa e o quinto, um tipógrafo chamado Cabrinovich, lançou uma bomba que não atingiu o alvo, sendo preso. O último conspirador, ouvindo a explosão, achou que o atentado obtivera êxito e abandonou o local. Ao ver passar o cortejo, compreendeu que a conspiração falhara. Desapontado, sentou-se à mesa de um café.
      Depois da recepção na sede da Municipalidade, o Arquiduque (...) voltou a percorrer as ruas da cidade, passando em frente ao café onde se encontrava o sexto conspirador, cujo nome era Gavrilo Prinzip. Este, surpreso em se ver bem defronte ao carro aberto que levava o Arquiduque e sua esposa, Deixou o salão do café, pisou no estribo da carro e sacou de seu revólver. Um policial percebeu as intenções do jovem estudante e procurou sua mão, quando foi atingido por um golpe de alguém que estava perto. Prinzip disparou contra o Arquiduque; em seguida, apontou para o general Potorek, atingindo a Condessa Sofia.
     Meio-dia de 28 de junho de 1914: o casal imperial estava morto. (RODRIGUES, Luiz Cesar B. A Primeira Guerra Mundial. São Paulo. Atual. 1988)
     A Grande Guerra seria iniciada a seguir. Desmoronaria definitivamente a Europa do Congresso de Viena. A Europa ainda continuaria a ser uma estrela, mas perdendo seu brilho. Tio Sam dava os primeiros passos para o domínio planetário. E o mundo nunca mais foi o mesmo.
    



domingo, 31 de agosto de 2014

GUERRA DA CRIMEIA (1853/1856)

GUERRA DA CRIMEIA

     Desde o fim da União Soviética, países do antigo bloco socialista da Guerra Fria têm sofrido muitas mudanças, em todos os sentidos. É o caso atual da Ucrânia e de suas relações com a Rússia, com o bloco da União Europeia e com os interesses dos Estados Unidos da América.

HISTÓRIA

     No século XVIII, o Império Russo conquistou a península da Crimeia, no Mar Negro. Para a Rússia czarista, era fundamental ter acesso aos estreitos de Bósforo e de Dardanelos, fundamental para a ligação entre o Mar Negro e o Mar Mediterrâneo e, a partir deste, chegar ao Atlântico e ao Índico (neste caso, após a construção do Canal de Suez). O Império Russo ampliava seus interesses sobre a Península Balcânica.

     O czar Nicolau I, em 1853, invadiu regiões dominadas pelos turcos otomanos, especialmente na foz do Rio Danúbio, onde hoje é a Romênia. O pretexto russo seria a proteção dos Lugares Santos (Jerusalém), já que o povo russo é cristão ortodoxo e o Império Turco, muçulmano, dominava essas áreas.

     O Império Turco reagiu, declarando guerra ao Império Russo. Estava iniciada a Guerra da Crimeia, que se estendeu de 1853 a 1856. O palco do conflito foi a própria Crimeia, o Sul da Rússia e os Bálcãs.

     Muitos interesses internacionais estavam em jogo, levando as potências europeias neocolonialistas e imperialistas a apoiarem o Império Turco para deter o avanço russo na região. O Reino Unido, da Rainha Vitória, temia que a Rússia tomasse Constantinopla e interrompesse suas ligações com a Índia, sua colônia na Ásia. Napoleão III, da França, tentava consolidar sua hegemonia na Europa Continental. O Reino Sardo-Piemontês, do rei Vitor Emanuel e do Conde Cavour buscavam apoio internacional para seu processo de unificação da Itália. A Áustria temia a expansão russa em regiões por ela dominadas.

     Assim, a Guerra da Crimeia teve, de um lado, o Império Russo, de outro o Império Turco, apoiado pelo Reino Unido, pela França, pelo Piemonte e pela Áustria.

     Derrotada, a Rússia foi obrigada a assinar o Tratado de Paris, em 1856, renunciando às áreas por ela invadidas e sendo proibida de manter sua marinha de guerra no mar Negro.

     A guerra deixou mais de 500.000 mortos. Os interesses de tantos países, inclusive das potências industriais europeias continuaram fortes da região, provocando novos conflitos que se tornaram antecedentes da Primeira Guerra Mundial.

FLORENCE NIGHTINGALE

     Durante a guerra, os aliados promoveram um longo e rigoroso cerco às bases russas em Sebastopol. O cerco durou mais de um ano, até a derrota russa.

     Foi nesse cenário que trabalhou, de 1854 a 1856, Florence Nightingale, uma enfermeira britânica nascida em Florença, em 1820. A “Dama da Lâmpada”, como passou a ser conhecida, tornou-se pioneira em vários tratamentos e levantamentos estatísticos de doenças.


     Por sua ação, é considerada a fundadora da enfermagem profissional e o Dia Internacional da Enfermagem, 12 de maio, é comemorado no dia de seu aniversário.

terça-feira, 29 de julho de 2014

VIAGEM A CUBA

  
  A voz anunciou o pouso em Havana, tempo bom, temperatura elevada. Para nossa surpresa, aplausos, muitos aplausos, aos quais juntamos os nossos.

     Já no taxi, a explicação do motorista:

     - Sim, o aplauso acontece sempre que companheiros cubanos voltam para casa, voltam para a pátria! - Assim começou nossa visita a Cuba.

     No caminho, até o centro de Havana, muitos cartazes, no Brasil chamados de outdoors. Não vendiam tênis, nem batom. Também não anunciavam lançamentos de edifícios de apartamentos, nem de escritórios. Exortavam a Revolução. Por todos os lugares pelos quais passamos, por todas as estradas, por todas as cidades e pequenos povoados, cartazes sobre a Revolução.

     Nossa hospedagem foi em casas de famílias. Em Havana, ficamos em duas delas, outra em Santa Clara e outra mais em Trinidad. Foi importante essa opção, para conhecermos as pessoas, o que fazem, o que pensam, como vivem. Pode haver artificialidade, mas não como são os hotéis, com seus gerentes, seus copeiros, seus porteiros, seus camareiros. Na casa, todas as funções são feitas pelas pessoas da própria família.

     Especialmente em Havana, entre a rua e a casa não há fronteiras, apenas paredes. As pessoas ficam nos balcões ou mesmo na rua, na porta das casas, conversam, discutem, cuidam dos filhos, seus e dos outros.

     Nos edifícios mais antigos – e, quase todos, são muito antigos – a fachada mal tratada esconde um interior surpreendentemente grande, com azulejos decorados nas paredes. Janelas, azulejos e móveis nos remetem aos anos 50 ou 60 do século passado. Com certeza, no mesmo endereço (ou dirección, como eles dizem) havia apenas uma família, antes da Revolução. Hoje, duas ou três compartilham o espaço e ainda é possível hospedar e servir turistas.

     Nas ruas, bicicleta, bicitaxi, cocotaxi, mototaxi, taxi antigo, taxi novo, carruagem puxada por cavalo, ônibus antigo, ônibus novo e carro novo convivem na turbulência urbana com os pedestres. Para o olhar adestrado de um turista, tudo indica que haverá ali, na próxima esquina, um acidente grave. Contudo, como num conto da fada, todos foram felizes para sempre.
Moros e Cristianos


     O café da manhã é farto e simples: frutas, sucos, café, leite, pão, manteiga, goiabada pastosa, uma pequena tortilla. O almoço é mais barato nos restaurantes controlados pelo Estado, mas há muitos lugares particulares. Há pratos deliciosos, do arroz com feijão (“moros y cristianos”) à lagosta (Cuba tem fazendas produtoras), passando pela “ropa vieja”, com carne vermelha desfiada. Particularmente, realizei um sonho iniciado na década de 1970: almoçamos no El Conejito, em Havana. Das frutas por nós desconhecidas, gostamos de uma chamada mamoncillo.

     Estivemos em muitos pontos turísticos em Havana, em Santa Clara e na região entre Havana e Piñar del Rio. Vimos muita terra produzindo arroz e milho e fazendas criadoras de camarão, de lagosta e de pescado. Não vimos canaviais por onde passamos. Não vimos fumo, pois é plantado em outros meses.

     Compramos alguns livros e um álbum de figurinhas sobre a Revolução. Compramos lembrancinhas, como bonés, instrumentos musicais. Paramos em Viñales, em uma finca produtora de tabaco. O charuto é produzido artesanalmente. Tivemos a felicidade de acompanharmos o processo inteiro.

     Fizemos uma viagem de ônibus, de Havana a Santa Clara. Dali fomos de carro a Trinidad e voltamos a Havana de ônibus. Passamos por pequenas povoações e por cidades maiores. Em todas elas, algo em comum: Escola Primária, Policlínica e CDR (Comitê de Defesa da Revolução). Conhecemos uma Escola Primária em Trinidad e uma Policlínica em Havana. Conversamos com alguns cidadãos sobre o CDR, entre eles, um ex-guerrilheiro dos tempos de Che, em Santa Clara.

Memorial a Che Guevara
em Santa Clara
      



 Há uma forte consciência política dos efeitos do bloqueio econômico (que vem desde 1962) e da vitória do povo sobre os invasores contrarrevolucionários na Baía dos Porcos. Há consciência dos avanços na educação, na saúde, nos esportes.


     Mas há também um descontentamento com a situação econômica, com a adoção de duas moedas, uma conversível em moeda estrangeira e outra não. Os salários são pagos em CUP (peso não conversível), enquanto o CUC, que vale aproximadamente 26 CUPs, é a moeda conversível.  A Assembleia Nacional está estudando medidas para a reunificação dessas moedas.

     Novas reformas estão sendo colocadas em prática, como a autorização para a compra e venda de automóveis e de residências e o fim da necessidade de autorização para o cubano sair do país. Outra medida modernizadora é a Lei de Investimentos Estrangeiros em Cuba, regulando a entrada de capital externo nos negócios da ilha.




     Um grande investimento está sendo feito pelo BNDES no porto de Mariel, distante 40 quilômetros de Havana e inaugurado em janeiro de 2014. O Brasil consolida-se como o terceiro maior parceiro de Cuba, atrás da Venezuela e da China. Em Mariel, de estrutura similar às zonas especiais da China, o capital externo aplicado pode chegar a 100%. Como os Estados Unidos da América ainda não derrubaram o bloqueio econômico, outras economias mundiais avançam como parceiros das grandes mudanças em curso em Cuba.

     A liberalização da economia não pode ser confundida com liberalização política. O centralismo de Estado continua, com partido único, o Partido Comunista Cubano.


quarta-feira, 9 de julho de 2014

2014: ELEIÇÕES E PROVAS DO ENEM


Em 2002, a prova do ENEM apresentou alguns textos e uma imagem, tratando de política, de democracia e de eleições.

     Para que existam hoje os direitos políticos, o direito de votar e ser votado, de escolher seus governantes e representantes, a sociedade lutou muito.
     A política foi inventada pelos humanos como o modo pelo qual pudessem expressar suas diferenças e conflitos sem transformá-los em guerra total, em uso da força e extermínio recíproco. (...)
     A política foi inventada como o modo pelo qual a sociedade, internamente dividida, discute, delibera e decide em comum para aprovar ou reiterar ações que dizem respeito a todos os seus membros.
(Marilena Chauí. Convite à filosofia. São Paulo: Ética, 1994).
     A democracia é subversiva. … subversiva no sentido mais radical da palavra.
     Em relação à perspectiva política, a razão da preferência pela democracia reside no fato de ser ela o principal remédio contra o abuso do poder. Uma das formas (não a única) é o controle pelo voto popular que o método democrático permite por em prática. Vox populi vox dei.
(Norberto Bobbio. Qual socialismo? Discussão de uma alternativa. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1983. Texto adaptado)
     Se você tem mais de 18 anos, vai ter de votar nas próximas eleições. Se você tem 16 ou 17 anos, pode votar ou não.
O mundo exige dos jovens que se arrisquem. Que alucinem. Que se metam onde não são chamados. Que sejam encrenqueiros e barulhentos. Que, enfim, exijam o impossível.
     Resta construir o mundo do amanhã. Parte desse trabalho é votar. Não só cumprir uma obrigação. Tem de votar com hormônios, com ambição, com sangue fervendo nas veias. Para impor aos vitoriosos suas exigências – antes e principalmente depois das eleições.
(André Forastieri. Muito além do voto. Época. 6 de maio de 2002. Texto adaptado).



                                                        Comício das Diretas-Já, 1984

     Quase coincidindo as datas, chega ao fim a Copa do Mundo de 2014 e foi dado o chute inicial para as eleições. Em 5 de outubro, as eleições de primeiro turno.

     Nossa República é montesquiana, no sentido de que o Estado é dividido em três poderes, dois dos quais renováveis através do voto: o Executivo e o Legislativo.

     Em 2014, serão eleitos o Presidente da República e, em cada Estado o Governador, ou seja, o Executivo Federal e o Executivo Estadual, respectivamente. Serão renovados ainda o Legislativo Federal e o Legislativo Estadual, com a eleição de um Senador por Estado, de Deputados Federais e de Deputados Estaduais. Em 8 e 9 de novembro, a prova do ENEM.

     Em 2002, com mais de 53 milhões de votos (cerca de 62% do total), as urnas deram a vitória a Luiz Inácio Lula da Silva para a Presidência da República. Naquele ano, a prova do ENEM ocorreu em 25 de agosto, com 1.829.170 candidatos.

     Doze anos depois, como estarão os jovens que, em 2002 fizeram a prova do vestibular e deram provas de sua cidadania ao participarem das eleições? Serão, sem dúvida, muitas histórias pessoais que se fundem na mesma perspectiva de defesa da democracia, do direito de ser ouvido.

    Em 2014, 9.519.827 se inscreveram para a prova do Exame Nacional do Ensino Médio e o exército de eleitores é de 141.824.607. Que mudanças qualitativas esperar desses números? Tudo indica que a sociedade continuará avançando na direção da democracia.

     Em 2026, como estará você, jovem de 2014 que, em menos de 40 dias, fará a prova de capacitação cidadã e a prova de capacitação vocacional e profissional? No meio deste caminho, muitas histórias pessoais. Mas há, sem dúvida, uma história especial nesse futuro: o crescer da cidadania, a certeza de que cada indivíduo se sentirá parte de um todo, mais humano, mais democrático.